Projeto Formare

Futuro com perspectiva

Cummins adota programa Formare, da Fundação Iochpe, e chega à quinta turma de alunos em curso profissionalizante voltado para alunos de baixa renda.

 

Por Inês Pereira | Fotos: Divulgação Cummins

 

A possibilidade de ter uma profissão e condições para batalhar por um lugar ao sol no mercado de trabalho deveria ser direito de todo jovem. Mas esta não é a realidade no Brasil. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 1,3 milhão de adolescentes de 15 a 17 anos estão fora da escola, enquanto outros 2 milhões de jovens estão atrasados.

A notícia alentadora é que cada vez mais empresas, instituições e indivíduos descruzam os braços e investem esforços para transformar a estatística. A Fundação Iochpe, que atua na educação de jovens em desvantagem socioeconômica há mais de 25 anos, é um exemplo de transformação neste campo.

Por intermédio de seu Projeto Formare, 46 empresas hoje são responsáveis ­por incluir mais de 1.340 jovens de baixa renda no ambiente industrial brasileiro desde o início.

A Cummins, uma das maiores empresas industriais com atuação no País, é uma  das companhias que se integrou a esta iniciativa. “O Formare é um dos projetos que mais nos orgulham. Nós começamos em 2013 e já formamos 80 assistentes de produção e serviços para indústria mecânica ”, diz Soraia Senhorini Franco, gerente da área de Responsabilidade Social Corporativa, da empresa.

“Em 2011, criamos um grupo de trabalho para discutir como conseguiríamos atuar na formação de jovens do Jardim Cumbica, na região de Guarulhos (SP), onde a Cummins está instalada desde 1971. Foi então que iniciamos contato com a Fundação Iochpe e conhecemos o Projeto Formare. Dois anos depois, inauguramos a primeira turma”, conta Soraia.

O trabalho em conjunto com a fundação criou as condições para a área de Responsabilidade Social Corporativa da Cummins levar adiante seu projeto educacional,  baseado no trabalho voluntário de seus colaboradores.

Neste trabalho a quatro mãos, a Fundação Iochpe fornece materiais pedagógicos e qualifica os voluntários para serem coordenadores e educadores. “Temos voluntários de vários setores da Cummins — engenharia, recursos humanos, financeiro, jurídico. E durante o estágio, os líderes de produção buscam os jovens para ensinar a prática.” A adesão e a motivação são bastante fortes — tanto no programa Formare quanto em tantos outros desenvolvidos pela área de Responsabilidade Corporativa — por conta dos valores já enraizados e de extrema importância para a companhia e seus colaboradores. “Para a Cummins, a evolução da Responsabilidade Corporativa se difunde com o progresso da empresa. Para gestão, há uma coordenadora dedicada ao programa Formare, sendo que cada disciplina ainda conta com um líder responsável pela editoração do projeto”, explica Soraia.

 

Educação integral

Soraia Franco, gerente da área de Responsabilidade Social Corporativa

Soraia Senhorini Franco, gerente da área de Responsabilidade Social Corporativa

A principal condição para frequentar o projeto educacional da Cummins é ser membro de uma família de baixa renda na comunidade do entorno de sua planta industrial.  A empresa prioriza jovens nascidos em determinado período para concluírem o curso com 18 anos completos, ou próximo de completar. “Isso para elevar as chances de obterem o primeiro emprego ao término do programa Formare”, diz.

Para a seleção, há provas com conteúdos de Português e Matemática alinhados ao Ensino Fundamental II.

Durante um ano, os jovens ficam de segunda a sexta, das 7h às 16h30, nas instalações da Cummins, tendo aulas teóricas em três módulos — básico, intermediário e avançado. As matérias técnicas também dividem espaço com aulas de reforço em Português, Matemática, Física e Química. A grade curricular tem suporte da ­Universidade de Tecnologia Federal do Paraná (UTFPR) e os jovens formados recebem certificado emitido pelo MEC, segundo Soraia.

A Cummins mantém o suporte de uma coordenação pedagógica, além de dar para os alunos uma bolsa-auxílio de meio salário mínimo, seguro de vida, refeição, transporte, uniforme e material escolar.

No final do curso, os alunos passam por estágio de um mês no chão de fábrica para aplicarem na prática o que aprenderam em sala de aula. Também fazem estágio na área administrativa e, na conclusão, entregam um trabalho.

“Eles acabam vivenciando um pouco de tudo. Aprendem a conviver no ambiente corporativo e a ter o comportamento esperado na indústria. Assimilam diariamente os conceitos de tecnologia e inovação da indústria 4.0, pois estão no dia a dia da fábrica”, explica Soraia.

 

Capacitação para o mercado

A Cummins não forma mão de obra visando apenas a demanda interna. “Cerca de 20% dos jovens ficam na empresa. Os demais vão para o mercado. É uma forma de contribuirmos com uma mão de obra qualificada”, diz Soraia.

Dos alunos formados, cerca de 32 estão trabalhando e 42 prosseguiram nos estudos. A gerente destaca que diversos jovens sentiram-se motivados a prosseguir a formação e entraram em faculdades pelo Prouni. “Esses mesmos jovens retornaram para a Cummins, como estagiários.

Para dar impulso ao programa, a empresa iniciou esse ano a busca de parcerias com fornecedores da região para absorver parte dos alunos formados na Cummins.

O Projeto Formare Cummins também mantém parceria com o Senai, que recebe alunos com melhor desempenho para prosseguir a formação. “Estes jovens têm potencial. A questão é abrir oportunidades para que eles se desenvolvam”, ­acredita Soraia.

O projeto de formação profissionalizante é valorizado pela comunidade. Para se ter uma ideia, este ano a Cummins recebeu 1.340 inscrições para 20 vagas. “Eles se interessam, querem ter uma profissão e se preparam para passar na prova. Esse é um efeito positivo, de querer estudar. Uma grande vitória e nos deixa muito orgulhosos. O objetivo da Cummins é qualificá-los para o mercado de trabalho e todos os esforços têm sido de grande valor para todos os envolvidos”.

Mas a história da Cummins com a responsabilidade social é antiga, segundo Soraia. Desde que se instalou no Brasil, em 1971, a Cummins busca contribuir com o desenvolvimento social da comunidade onde está estabelecida, na cidade de Guarulhos (SP). Além de privilegiar a contratação de profissionais da região (cerca de 50% dos funcionários residem na cidade), estabeleceu parcerias com a Prefeitura e com o Governo Estadual, além de outros órgãos municipais e entidades beneficentes, para auxiliar no atendimento às necessidades da população local.

Com o objetivo de intensificar ainda mais os esforços para buscar mais impacto na sociedade e nos próprios negócios, em 2011 a área de Responsabilidade Social Corporativa da Cummins ganhou uma gerência específica. “Desde então, iniciou-se um processo de expansão das atividades para toda a América do Sul e houve ainda a integração e o envolvimento de outras Unidades de Negócios da empresa, tais como Cummins Emission Solutions, Cummins Filtration, Distribuição, Componentes e Geração de Energia, além de novos parceiros comunitários”, conta Soraia.

 

Por dentro do Formare Cummins

O curso Assistente de Produção e Serviços da Indústria Mecânica (APSIM) reúne conteúdo teórico à prática profissional na forma de Estágio e Ocupação Especializada. Conheça a grade curricular por módulo (duração de 11 semanas cada).

Para cada um dos níveis, os alunos são submetidos a provas de avaliação, além de trabalhos em sala de aula. Os jovens com baixo desempenho recebem reforços, sob a supervisão dos voluntários responsáveis,  para garantir a retenção do conhecimento aplicado.

 

Básico

• Matemática Aplicada e Lógica

• Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade

• Comunicação Oral e Escrita

• Relacionamento e Trabalho em Equipe

• Organização Empresarial

• Atendimento e Suporte ao Cliente

• Instrumentos de Medidas e Controle

• Desenho Mecânico

• Tecnologia dos Ensaios e Materiais

• Inglês

• Dança

• Treinamento de Diversidade

 

Intermediário

• Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade

• Comunicação Oral e Escrita

• Organização Empresarial

• Informática Aplicada

• Processos, Logística e Produção de Componentes

• Manutenção Automação Industrial

• Melhoria de Processos e Produtos

• Motor Diesel

• Inglês + Intensivo

• Música

• Educação Financeira

• Prática Profissional (PP) – Fábrica

 

Avançado

• Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade

• Comunicação Oral e Escrita

• Informática Aplicada

• Projeto Integrador

• Processos, Logística e Produção de Componentes

• Manutenção Automação Industrial

• Espanhol

• Música

• Prática Profissional (PP) – Administrativo

• Orientação Profissional

 

Mais educação para a comunidade

A Cummins desenvolve projetos em três frentes: Educação, Meio Ambiente e Justiça Social.  Desenvolve diversos projetos nesses focos. Em 2007, a companhia construiu um prédio de 220 m2 voltado para os treinamentos profissionais e capacitação, além de outros projetos desenvolvidos, para os moradores do bairro do Jardim Cumbica, em Guarulhos.

Entre as diversas ações educacionais para a comunidade, está o Pano pra Manga, um curso de corte e costura para os moradores que desejam desenvolver outra forma de geração de renda familiar, e que também oferece aulas de empreendedorismo. O projeto ganhou pernas próprias e, hoje, funciona em uma oficina com autonomia e sob a gestão das próprias integrantes.

Construída pela Cummins South America, em 1990, em parceria com o Governo do Estado, a Escola Victor Civita recebeu R$ 3,5 milhões da companhia para a reforma concluída esse ano. Tem cerca de 320 alunos, entre seis e 11 anos de idade, do Ensino Fundamental I.  Nesse espaço, os voluntários da Cummins pilotam vários projetos de ensino, como a Roda da Leitura, o Clube da Matemática, as aulas de inglês e o ensino digital, em que as crianças têm contato com o conhecimento digital por meio da  metodologia gamification.

 

 

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