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Fapesp vai financiar centros de pesquisas voltados para a manufatura avançada
Por Inês Pereira

 

Seguindo sua grande vocação de incentivar e abrir os campos da pesquisa, tornando o conhecimento acessível à sociedade, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) afina o foco na indústria.
Mais precisamente, na Indústria 4.0. Sua proposta é ambiciosa: criar Centros de Pesquisa em Engenharia dentro de universidades e institutos de pesquisa que compõem as instituições-sede. Desde maio desse ano, durante a Expomafe, quando lançou um edital para startups interessadas em desenvolver alta tecnologia, a Fapesp está fazendo a gestão desse projeto, que inclui a participação de instituições de ensino e pesquisa, públicas ou privadas no Estado de São Paulo, e empresas ou consórcio de empresas estabelecidas no Brasil. A data para recebimento das propostas, inicialmente marcada para agosto, foi prorrogada para fevereiro de 2018.
“O conjunto de tecnologias por trás da noção de manufatura avançada ou indústria 4.0 é decisivo para a competitividade no futuro — desde inteligência artificial, materiais de impressão 3D até a realidade aumentada e a digitalização da manufatura. A nova fábrica depende da integração de tecnologias. E nós temos grande interesse em fomentar o desenvolvimento tecnológico em São Paulo e em todo o Brasil, financiando esse dream team tecnológico”, afirma o Prof. Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente da Fapesp.

A intenção maior dos Centros de Pesquisa em Engenharia é ir além dos tradicionais cronogramas de curto e médio prazo, em geral incompatíveis com o tratamento bem-sucedido de problemas complexos e ousados. Para resolver esse desafio, o fomento oferecido terá duração de 10 anos. “Será um financiamento de longo prazo e bastante estratégico para as empresas que queiram se posicionar bem em novas tecnologias no futuro. Poucos lugares do mundo têm financiamento assim longo. Queremos que sejam desenvolvidos projetos realmente inovadores no mundo tecnológico. Dez anos é um prazo aceitável”, acrescenta o diretor-presidente. No projeto orquestrado pela Fapesp, a Pesquisa e Inovação em Manufatura Avançada tem papéis fundamentais: a otimização das plantas fabris e a extensão de aplicações integradas em toda a cadeia de valor e ciclo de vida do produto.

No centro desta revolução estarão as tecnologias de digitalização da manufatura, os sistemas ciber-físicos e a manufatura aditiva. Outras áreas de conhecimento e tecnologias estarão no radar da Fapesp — no seu entendimento, todas decisivas para o passaporte da indústria brasileira rumo ao futuro, como a robótica, o desenvolvimento de sensores e rastreadores, a Internet das Coisas (IoT), materiais avançados, análise preditiva, realidade aumentada, inteligência artificial, computação de alta performance, analytics e big data.

 

Transferência de conhecimento
Uma das preocupações centrais da criação dos Centros de Pesquisa em Engenharia é a transferência de conhecimento — tanto para a empresa ou o consórcio de empresas, incluindo-se aí os fornecedores e a cadeia de valor do setor ou ainda a criação de novas empresas, quanto para a sociedade, os setores não-governamental e público.

Ao lado de outras iniciativas, que igualmente contribuem para a capacitação profissional e a entrada do país na Era 4.0, como o SENAI (veja matéria à pág. 30), o projeto valorizará a formação de pesquisadores de alta qualificação, especialmente em áreas críticas, em interação com o sistema de ensino superior e pós-graduação. E dará ênfase a importantes questões como a pesquisa de classe internacional na fronteira do conhecimento, fundamental ou orientada para aplicações, buscando explorar ativamente as oportunidades de contribuir para a criação de inovações tecnológicas. E, na mesma medida, realizará pesquisa competitiva internacionalmente, segundo os melhores referenciais mundiais de excelência.

 

Áreas mais valorizadas na manufatura 4.0
1. Manufatura Aditiva (impressão 3D, manufatura híbrida, etc.);

2. Sistemas ciber físicos (tecnologias de informação e comunicação, sistemas mecatrônicos para monitorar processos industriais em toda a cadeia de valor);

3. Redes de Comunicações e segurança cibernética (tecnologias de comunicação entre equipamentos, produtos, sistemas e pessoas);

4. Sensores e Rastreadores: dispositivos de sensoriamento e rastreabilidade a exemplo de Internet das coisas (IoT), Identificação por radiofrequência (RFID) e nano sensores;

5. Virtualização, Modelagem e Simulação (tecnologias que permitem a virtualização da concepção de produtos e processos e sua otimização);

6. Digitalização (hardware e software para levantamento de dados na cadeia produtiva e sua posterior utilização em processos industriais e empresariais);

7. Tecnologias de apoio (para basear os processos, operações, pessoas e equipamentos, incluindo a realidade aumentada, nanotecnologia e wearables);

8. Inteligência Artificial, Computação ubíqua, Analytics e Big Data (tecnologias que permitem a automação considerável de processos, incluindo robôs e algoritmos avançados para controlar e processar informações);

9. Novos Materiais e Materiais inteligentes (incluindo compósitos, ligas leves, biomateriais, nano materiais e materiais para dispositivos portáteis);

10. Fotônica: ótica avançada, lasers, displays, optoeletrônica e eletrônica flexível.

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