Bons ventos voltam a soprar

Bons ventos voltam a soprar

Realizadas recentemente, feiras setoriais aquecem os negócios e apontam para um cenário promissor em 2018
*Por Denise Marson

 

Divulgado na abertura da Feimec (Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos), no último dia 24 de abril, o balanço do primeiro trimestre de 2018 serviu para fundamentar a mensagem de otimismo que a entidade gostaria de transmitir aos participantes do evento realizado no São Paulo Expo, na Capital paulista. O levantamento mostrou um aumento no faturamento de 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado – resultado influenciado diretamente pelas exportações, que cresceram 23% (em reais). Com isso, foi mantida a previsão de um crescimento acima de 5% para este ano, considerando-se que o mês de abril apresentasse um desempenho acima da média. “Se o mês de abril cair menos que o sazonal, a previsão poderá ser mantida. Mas poderá diminuir, se for muito ruim”, disse Mario Bernardini, diretor de competitividade da entidade. Para ele, a feira seria um bom termômetro.

Se depender do balanço final divulgado pela organização, as boas perspectivas poderão ser mantidas: a visitação superou “amplamente” a expectativa de 40 mil pessoas e a grande maioria dos expositores consultados comemorava negócios concretizados ou finalizados durante o evento – sem contar o expressivo número de oportunidades geradas para o futuro próximo. Uma terceira edição já está confirmada para os dias 5 a 9 de maio de 2020.

A crença na recuperação da indústria passa, sem dúvida, por investimentos para que esta volte a ser produtiva e competitiva. Em discurso permeado por apelos para que reformas estruturais, tais como a da previdência e a tributária, avancem, João Marchesan, presidente do Conselho de Administração da Abimaq, destacou que “o País ensaia os primeiros passos para a retomada do crescimento. E, para que esta retomada seja sustentada ao longo do tempo, é necessário ampliar os investimentos produtivos”. Para ele, o futuro da tecnologia foi bem representado no evento, que contou, mais uma vez, com o demonstrador da manufatura avançada – que teve recorde de visitação –, além de promover a integração de empresas em clusters com universidades e institutos de pesquisas tais como FAAP, FEI, ITA, Instituto Mauá de Tecnologia, UFSC e USP, presentes na área chamada Parque de Ideias.

Paulo Castelo Branco, presidente da Abimei, reforça o fundamental papel da tecnologia nas feiras setoriais: “máquinas de alta tecnologia, integradas com os elementos de eletroeletrônica, automação e conectividade. Uma solução única que ofereça tudo aquilo que a indústria brasileira precisa para se tornar mais produtiva e competitiva”.

 

Manufatura avançada e Indústria 4.0

A tradicional Feira da Mecânica ocupou o Expo Center Norte – sob o nome de Mecânica Manufacturing Experience – entre os dias 24 e 27 de abril. Assim como o evento promovido pela Abimaq, a feira da Reed Exhibitions Alcantara Machado teve seu enfoque em experiências envolvendo novas tecnologias e inovações que visavam “tornar a Indústria 4.0 uma realidade no Brasil”. Para isso, reuniu especialistas que realizaram mais de cem palestras, organizadas em diferentes arenas do conhecimento, com destaque para a da Robótica, com curadoria do Instituto Avançado de Robótica (I.A.R.) – um dos espaços com maior visitação e que mostrou, em ambiente interativo, a aplicação de robôs inteligentes.

“Nossa meta, ao unir a universidade com as empresas, foi mostrar que existem muitas possibilidades oferecidas pela robótica para prover soluções até então inimagináveis para problemas crônicos da indústria”, diz Rogério Vitalli, diretor executivo do I.A.R.

Após o fechamento, a organização divulgou que, em apenas três dias de evento, foram movimentados 85,5 milhões de reais em novos contratos entre 82 fornecedores e 15 grandes compradores durante as rodadas de negócios. “Estamos satisfeitos por termos conseguido mostrar que a tecnologia, conectividade e eletrônica por trás dos sofisticados robôs e demais equipamentos que foram expostos são os verdadeiros pilares da Indústria 4.0”, afirmou Igor Tavares, diretor de eventos da Reed Exhibitions Alcantara Machado.

 

Cenário político-econômico e o futuro da indústria

Entre as personalidades convidadas a palestrar durante a Mecânica, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega contribuiu com a indicação de que a taxa Selic pode terminar o ano em 6% e o País deverá crescer cerca de 3% até 2021. Ex-presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros também compartilhou do mesmo otimismo para os próximos anos, para os quais, acredita que haverá um impacto positivo para a indústria. “Historicamente, o Brasil cresce em média 3% ao ano, considerando os períodos de baixa e de alta. E devemos ter, já este ano, o PIB subindo entre 2% e 3%, o que se prolongará para os próximos cinco anos”, previu. Os dois especialistas, porém, alertaram para o fato de que as variáveis no quadro político poderão influenciar esses prognósticos.

Ex-ministro da Fazenda e pré-candidato à Presidência da República, Henrique Meirelles concorda: “Estamos nos recuperando, depois que a economia nacional entrou em uma espiral de queda e quase foi ao colapso. Precisamos evitar propostas que deram errado no passado e buscar quem possa dar continuidade nas políticas de recuperação”, disse. Meirelles avaliou que a economia do Brasil começou 2018 com “forte recuperação sustentada pelo investimento dos empresários, não ancorada em crédito ao consumidor”. Segundo ele, o cenário deve levar o empresário a acreditar na continuidade da recuperação econômica e a investir na produção.

 

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